quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Jornalismo Cretino Contemporâneo (Imprensa Azul)

Cientistas afirmam que chuva não é água e que a sombra humana é pobre em nutrientes

“Água é água, chuva é chuva. Simples.” Definiu Chris Christoffen, chefe de pesquisas do instituto Randolph Keser, na Alemanha.

A dúvida surge no momento em que começam numerosos debates em fóruns científicos na internet sobre a formulação química: H²O. Pesquisadores afirmam ter descoberto casualmente que a água que bebemos é mais líquida do que a chuva e esta seria um “dry-wet“, termo que define algo como “Secos & Molhados”, também nome de uma banda de Fado que invadiu o Brasil no século passado.

Esta surpreendente definição da chuva alertou os observadores eletrostáticos da ONU, que ativaram um alerta geral para a possibilidade da chuva não molhar mais nada em lugar algum.


Em comunicado oficial nesta madrugada, Kin Jun Clô, porta voz da ONG ONU, atesta que se  preciso for, forças armadas invadirão campos de petróleo para evitar o fogo espontâneo causado por “dry-wet”.


No Brasil, Nhô Cunha, líder capitão do mato, disse por telefone em uma rádio oficial do governo que “se preocupa com a sede generalizada que a repentina secura da chuva venha a trazer para nossas pias batismais.” Corrigido ao vivo de que a água da pia seria mais liquida do que a de costume, Nhô não se fez de drogado: “Ué?”.

Do mesmo instituto Randolph Keser, parte a noticia dos resultados de um estudo que começou há dez anos, sobre a composição da sombra. O objetivo era descobrir se poderíamos usar nossa sombra como alimento. Apesar de inúmeros protestos de ativistas pelos direitos humanos, cientistas seguiram com os testes.

A conclusão vem por meio de matéria na revista especializada Nature Cougar: “Nossa sombra não apresenta nutrientes suficientes para uma dieta bem sucedida. A única porção significativa de proteína se encontra na junção entre nosso calcanhar e o inicio do trajeto sombrio; e após muitas tentativas, concluímos que é perigoso e pouco benéfico ingerir esta parte”.

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Fui conhecer o novo movimento literário: “Ao pé do letrismo”

 

Cinco jovens escritores brasileiros se unem para dar voz (ou papel) ao que chamam de “Ao pé do letrismo”. Apesar da palavra já estar associada ao movimento poético, Rauvera Molina (22), Timóteo Pinto (34), Deise D’Ornellas (27), Hilda Moraes de Carvalho (21) e Mirna Dora Gouvêa (27), sentem-se tranquilos para criar livremente. Com duas publicações cada, preparam-se para lançar no final deste ano uma coletânea e um manifesto, inaugurando oficialmente a proposta.

“Queremos consolidar o literal da expressão – Ao pé da letra – e acabar com a super interpretação que assola nossa geração”. Nos conta Timóteo Pinto, membro mais velho do grupo e também precursor de outra vertente literária, o Discordianismo. “Não é somente literária a discórdia, mas principalmente um rocambole e um cachorro quente”! Corrige, Timóteo. 
Falando em rocambole, certamente seria servido a todos este doce, caso fosse anunciado. Pois o mote do grupo é: “Aqui se fala, aqui se faz.” E na sede, uma sala compartilhada com a ONG VIVA PAREIDOLIA, na Av. Paulista, em São Paulo, eles mostram o motivo de existirem. “Aqui, descendo para o porão, carregamos nossos escritos. Levamos tudo ao pé da letra.” Animou-se Deise D’Ornellas, nos guiando para o que, de fato, era uma letra ‘A’ enorme, feita de papel machê e com pés. Ao redor dos pés, também de papel machê, inúmeras páginas impressas e escritas à caneta, de várias cores. “São nossos trabalhos, onde devem estar. Longe da super interpretação da internet".

Ao mesmo tempo em que querem divulgar seus trabalhos pessoais no apertado mercado de literatura, pretendem iniciar uma febre por todo país. “A febre vem com a dengue associada as histórias. No caso, um livro de contos. Vai demorar, mas estamos juntando contos de réis para confeccionar as páginas.” Faz mistério, Rauvera Molina. Propomos que fizessem um poema ao pé do letrismo para o ASTROMIAU:

“Para encerrar”
Quando eu gosto a gente gosta.
a gente gosta quando ele gosta.
sem segredo à gente; a gosto!
Oi?

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80% dos policiais utilizam Spray de Pimenta como condimento.

 

“Na salada, na farofa e no churrasco de domingo” Conta o policial militar G. N. V. (33), que prefere não se identificar. Em sua casa, os tubos do temido gás, feito de Oleorresina Capsicum, principio ativo das sementes de espécies poderosas de pimenta, preenchem as estantes de condimentos. “Nós utilizamos em protestos e eventos públicos. Temos uma cota de tubos e a pegamos conforme necessidade. Quando sobra, o correto é devolver ao estoque do batalhão, mas por falta de espaço e logística, muitos de nós levamos para o lar.” 

E o gosto?  

“Na primeira vez que minha esposa arriscou uma borrifada por cima do arroz com feijão, ela exagerou no gatilho. Metade da comida foi pro lixo. Pouco a pouco testamos em outros pratos. Sabendo aplicar, combina com quase tudo. O gosto é sensacional. Arde tanto que até tremem as pálpebras.”

Apesar das inúmeras reclamações, principalmente na internet, de pessoas atingidas pelo gás, o uso culinário da substância parece ter despertado interesse. Enquetes de sites de receitas apontam que 1 em cada 10 pessoas gostaria de provar o gás de pimenta. Em uma rápida busca no Google, dezenas de resultados aparecem com as mais inventivas receitas. Desde costela de boi defumada até um sofisticado Creme Bruleé, finalizado com o gás.

Na esfera legal, o ministro da justiça condena a nova moda e considera abrir inquérito para investigar o mal emprego da substância, que é de distribuição restrita. Nossa equipe provou na casa de G.N.V um picadinho borrifado com uma versão especial do spray de pimenta (feito em Israel). De forte fragrância, a primeira sensação é de dormência na língua, em seguida um espasmo corre por todo o corpo e a pele torna-se oleosa, o esfíncter bicudo e pulsante. Quatorze horas após o prato, metade da equipe está comprometida com o banheiro. Entre nós, decidimos unanimemente: vale a pena provar.

 

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Lua Cheia volta a ser Lua Nova após corte de cabelo

Causou comoção em toda a cidade de Parnamirim, Rio Grande do norte, na última noite (22), a Lua Cheia alterando seu status para Lua Nova. Por volta das vinte horas, nuvens densas ocultaram por alguns segundos o espetáculo lunar. No momento em que uma forte ventania empurrou o aglomerado nebuliforme para longe, o único satélite natural do planeta Terra voltou como Lua Nova.

“Tudo ficou mais escuro na cidade. É como se tivessem apagado uma grande lâmpada.” – Contou Vera Lúcia, que tomava sorvete na praça com suas duas filhas. Por toda a cidade esta inusitada mudança desafiou a percepção dos moradores. Luís Cunha, dono de um pesqueiro nas imediações da BR 301, reclamou da situação: “Os pacu que é pra dá a féria vai pra engorda pois agora luz amena pega pau a pique desse queijo aceso, vai te reá, lua!”

Já na lanchonete de Silvia Sales, as mesas foram postas na calçada e muitos clientes curtiram seus lanches com a amena iluminação. “Fica mais íntimo, né?” Opinou dona Teresinha enquanto brindava o marido com o refrigerante. “De rocha! Tem pareia, não, sabe?” disse a dona do estabelecimento.

Na delegacia do oitavo distrito, os telefones não pararam durante toda a noite e começo de madrugada. Policiais fizeram diligências em bairros mais afastados. Dois casos de histeria foram registrados, um deles foi com nossa entrevistada da lanchonete, Dona Teresinha, por conta de ter brindado o próprio marido em um copo de guaraná.

Acompanhamos uma estranha ocorrência no bairro de Icaicara, após a chamada de uma senhora com voz chorosa pedindo por socorro. Fomos junto com a viatura e chegando no local conhecemos Jussara Toledo (53) e seu marido Crispim Dantas (64). Informados, via celular, de que o prefeito Maurício Marques faria uma declaração na rádio municipal, nos preparamos para seguir para a estação.
 
Para surpresa de todos, neste momento, dona Jussara desvencilhou-se dos policiais e veio em nossa direção. “É bronca, seu reportagi*” Chorava dona Jussara enquanto o marido permanecia sério na soleira da porta. “A lua cheia veio apagando pois que eu cortei o cabelo do meu marido com o tesourão de pano e… — Hoje não é dia — Complementei. Isso mesmo, omi. Queria eu que esse jacaranda mimoso na cabeça de Crispim voltasse grosso que só um caldo bom. Né isso?”

Com a revelação, o policial Dinamar Cunha algemou Jussara Toledo e retornamos a delegacia ao lado de Crispim Dantas, marido da ré confessa. Aos sessenta e quatro anos, o aposentado padeiro mostrava-se envergonhado e a todo momento passava a mão sobre os cabelos cinzas irregulares, devido as recentes tesouradas.

Por volta das três horas da madrugada a Lua Cheia retornou. Apenas para se despedir poucos minutos depois. “É que não terminei o corte de Crispim.” – Desabafou Jussara algemada em uma sala isolada. Encerrávamos a matéria quando nova ligação surgiu como uma bomba: “Amanhã a lua míngua em Natal por causa do frasco cinquenta e dois aberto ontem em Parnamirim, conhece“. O fato coloca em alerta a lei e nossa equipe embarca hoje pra Natal.
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