segunda-feira, 20 de junho de 2016

TRIBUNAL DO CÉU DA SUA BOCA









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Tu foste acusado (estalo) de arruinar (estalo) o encontro do dono deste corpo. (estalo). TRÊS (estalo) DIAS SEGUIDOS! (estalo, estalo)

Jamaissss! Ssssssou aquele que vai e vemmmm. Frequento res (SSSSS) piros que ninguém aqui viu. 

Nossas coroas estão sufocadas de teus males, Mau hálito! (estalo, estalo, estalo, estalo)

SSSSSSSSSSSSSSSSS Com que provasss? Por acaso não passsssa por vosssssssa consssssciiiiiênciiiiiia que fossssste tu que flertou com o obscuro mundo dos aromassss? E teu amarelão pegajossssso nada tem a ver? Provassss-te bossssssta? 

(estalo, estalo, estalo, estalo, estalo, estalo, estalo) Pr...Pr..Pré-mo-mo-molares com a palavra.

Decidimo-nos por nada mais triturar. Até que a Língua resolva o problema.

Pois bem! (estalo) O ser que insistir (estalo) em tão soturno (estalo) chorume aqui nesta casa, é, como costume milenar, (estalo) sujeito a ter o templo destruído (estalo) pela morte estomacal. Consequentemente, defunto. Consequentemente, putrefato. (estalo) Consequentemente, os dentes terão uma jornada eterna (estalo) no gélido túmulo de ossos. Com a palavra, segundo molar.
Confabulamos... Que seja o falecimento geral posto em prática. Auscultamos rumores de concordância vindos de diversos órgãos.

SSSSSSSSSSSSSSSSSSSPEREM! Tilinta a egoissssta goela! ssss

QUEM VEM LÁ? (ESTALO)

"SOU" "EU" "AMIGOS" "ENXAGUANTE" "BUCAL" "SEM ÁLCOOL". (chuá, chuá, chuá) 

É tarde! (estalo) O tribunal tomou a decisão. Mau hálito condenou a todos nós (estalo)

(chuá, chuá, chuá) 

SSSSSSSSSSSSSTOU LIVRE DO MALIGNO AAAAAHHHHH SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

Dentinas estão (estalo) gritando? Coroas, o que se passa?

Melhoras, senhora Língua. O Mau Hálito é agora Bom Hálito.

SSSSSSSIM. E trago noticiassssss de quando essstava posssssuído de vilanesssscosss aressss. Dessssscobri que o problema era messssmo a ssssssaburrra encrusssssstada sssssssss NA LINGUA.

ÓÓÓHHHH

(ESTALO) MENTIRA!

Bom hálito não se engana, querida Língua.

(ESTALO, ESTALO) Cala-te, Canino.

"ADEUS" "AMIGOS" chuá, chuá. 

Olhem sssssssó quem vem lá!

(ESTALO) SOCORRO! RASPADOOOOOOOOR!

&fin&

(Este conto é um SponsorPunk e pode ter o nome de sua marca de higiene bucal atrelado a história. Entre em contato para conhecer nossa tabela de valores.)

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Rapidinha 1

O Betino voltou pra terrinha e estava de papo com o Godim no bar.

"...e segunda feira andando em sumpaulo perdi a cartera".

"Ié, Betino?"

"É. Pesar de ter virado a paulista, num achei a mardita."

"Í na terça?"

"Na terça, bife a rolê."

quarta-feira, 8 de junho de 2016

TEMER TRUMP


Estela cálculou sua chance de atravessar com sucésso o pequeno abismo que surgirà á sua frente. "Desfávoravel", pensou ao espremer o tenis nos detritos da beirá. Éra o ultímo obstaculo em seu trajeto para ser a primeira mulhér a cruzar à linha do meridiâno Temer-Trump. "Dêveria têr avisado alguém. Deveria ter chamado à mídia." Preocupava-se por não deixar um legado de coragem e força para um ato tremendo como aquêle.

Ela sentôu e desamarrou a vassoura das cóstas. A iminência de um tiro em sua cabeça lhe dava máis furía do que lhe alcançava o pavor. Bateu com o cabo na rocha e ela mostrôu-se sólida. "E o outro lado?" Arremessou a maçã que escolhera na véspera para o outro ladô. "Não foi uma boa ideiá". De pé, montôu na vassoura e impulsionou o corpo para frente. "A aguá é mêu sãngue, o ar é minha respiraçâo..." Voou. Voou seu limite Wicca. Trinta segundos, dois metros pra cima, um metro á frente. Eis o ôutro lado. O temerário meridiano de Temer-Trump fôra cruzado pelo ser do sexo feminino.

O instrumento de voo tremeu e partiu-se pouco antes do pouso. Ela caiu na borda que não era de rocha. "Quantas pessoas sabem dessa verdade?" Pilhas e pilhas de cheques cruzados, bilhões deles amontanhados a perder de vista. "As pessoas ficariam enojadas". A parte mais dificil era cruzar o abismo. Apenas mais um confronto a aguardava. E, de nuvens densas púrpuras que salpicavam águá morna nos cheques, deflúviou a gigante cabeça dourada, cantarolando bordões macho-psicóticos. "All oppression creates a state of war, brazilian Woman. There's no woman as brazilian woman. You can ask around."

Estela passou a afundar na montanha. Sua mente girava em uma vertigem acentuada pelos tremores que vinham simultaneamente das nuvens e das trevas que lhe aguardavam no solo.
Uma segunda cabeça brotou, não do céu, ao seu lado, o rosto riscado, os fios grisalhos gigantes lhe roçando o nariz. Dela, sobravam os olhos estarrecidos, acima de uma importância ao portador de duzentos e noventa milhões. O anasalado da voz da cabeça velha arremeteu suas palavras junto a gargalhada que vinha das nuvens. "O governo está empenhado em governar a polis do mundo.Temos que estar atentos, dar-lhes a importância devida. Não se faz política com o fígado, madame."

"Com licença? Alô? Com licença, moça, seu acento está errado!"

Estela piscou pela primeira vez nos quatro minutos em que ficara vibrada no palanque repleto de microfones.

"Com licença, você sentou em minha cadeira. Meu nome está aí. Você é jornalista? Não tem acento para você? Vou ter que tirar seu acento."

Ela olhou para o jovem que lhe cutucava.

"Não encontrei meu acento. Tem algo errado, porra. Tem algo errado."

O jovem recuou e buscou de queixo alto por um dos muitos seguranças. Palmas. Entravam os dois presidentes. A primeira coletiva Temer-Trump tinha início.

"You first. Hey, hey, woman... Oh, well, you can ask around."

Estela não sabia o que perguntar. Era sua vez, trinta segundos. Pressionada, saiu correndo do salão.

"Que atitude drástica".

Dois seguranças seguiram-na, a desejo de um comando sussurrado em seus ouvidos grampeados.
Lá fora, antes de ser agarrada pela cintura, Estela viu dezenas de carretas manobrando no pátio. Chegavam os talões.