segunda-feira, 26 de maio de 2014

Reinação dos Covardes

As quarenta crianças circundaram Walter com gritos de alegria, enchendo-o de perguntas que não compreendia totalmente. O norte americano, muito alto, sorria olhando para baixo, apalpando as cabeças agitadas, feliz com a alegria que sua fantasia propiciava aos pequenos. Estava trajado como um cowboy clássico, dos pés calçados em botas reluzentes e esporas pontudas ao chapéu de camurça creme, bem escovado. A mão direita o tempo todo protegia o revólver no coldre preso a cintura. A arma era de plástico, bem simples,  tingida no cano com spray prata e o restante manchado em marrom, com hachuras feitas a lápis. Walter protegia a peça, mostrando corporalmente que ali não poderiam tocar.

— Muito bem crianças, por favor, venham pra cá e formem uma fileira. — A guia da ONG Viva Vida, Marta, abriu os braços e os sacudiu para frente na tentativa de ordenar os pequenos que estavam ouriçados com a figura imponente daquele cowboy.

Fantastic kids! Obrigado.

Walter posicionou-se na frente das crianças e retirou do bolso uma estrela dourada de latão, prendendo-a em seu peito.

— Agora sou o xerife. Você sabem o que é o xerife? — Caprichou na pronúncia, pausada e firme, preocupando-se a todo o tempo no uso dos artigos, como bem havia treinado durante meses.

As crianças deram risada da estrela e do sotaque daquele cowboy.

— Hoje, eu e minha esposa — Walter apontou para a esposa Sara que o observava um pouco afastada, sentada na entrada de um galpão e com roupas normais. — Viemos mostrar a vocês o que é o faroeste. O bang bang! — A onomatopeia saltou de sua boca em um tom brincalhão. Deu uma piscadela para a esposa que o respondeu erguendo o polegar em sinal de aprovação.


— Crianças, prestem atenção, direitinho. O senhor Walter é um ator de filmes e veio lá dos Estados Unidos visitar nossa comunidade e passar o conhecimento dele para nós. — A guia sentou-se junto com o restante dos pequenos. — Vocês aprenderam no mapa onde fica os Estados Unidos?

—Fica loooooonge, tia.— Vitinho suspirou amassado no meio de outros garotos.

— Do outro lado do mundo, tia! — Acrescentou Bia, que estava ao lado da guia Marta, mas mesmo assim gritou as palavras.

—Tudo bem, tudo bem. Depois repassamos isso, vamos prestar atenção ao senhor Walter.

Walter pigarreou e retirou o chapéu, reverenciando as crianças.

— A partir de agora eu sou Red Fred, a gatilho… O gatilho mais rápida em oeste.

Todos prestavam atenção com olhos arregalados e bastaram as primeiras palavras do homem para soltarem gargalhadas ardidas.


—Tia, tia, tia, ele falou gatinho?

Gatinhooo!

—Tia, tia, tia, tia, não entendi, tia, tia, tia.

— Bebe verde!

— Fede fede!

— Tudo bem, podem parar com essa gritaria. Gatilho é um pino da pistola e é uma trava de segurança pra não machucar outras pessoas. Ok? O nome dele é um personagem, uma invenção do velho oeste. É Red Fred! Fiquem quietinhos, não precisam gritar.

—É ga – ti – lho! Seus burros. Meu irmão me ensinou. Eu sei…

—Tia, tia, tia, tia…

— Eu sei até mexer na arma, é um bagulho ali da arma, seus burros.

— Tá bom, Pedro. Todos entenderam, pode ficar quietinho, tá bom? Pessoal, quem tiver qualquer dúvida, a partir de agora tem que levantar a mão. Ok? Vamos lá. — Sentou-se novamente.

Walter deu sequência, em palavras pausadas.

— O Velho Oeste em meu país faz parte de uma visão histórica de muito tempo atrás, antes mesmo de seus vovôs terem nascido. Por entre as planícies rochosas, as escarpas distantes, entre as flechas dos índios bravos, que eram os verdadeiros senhor daquelas terras, migravam famílias de todo o mundo em busca de uma novo lar e uma nova vida e com eles vieram os empresários, os garimpeiros e principal, os cowboys.

As crianças estavam distraídas acompanhando o sotaque estrangeiro daquele homem diferente, fantasiado como um caipira. Uma senhora de cabelos grisalhos e vestido florido surgiu da escadaria de um beco que desembocava na frente do grupo. Ela arfava, apoiando-se numa pequena bengala.

— Guilherme… Guilherme venha aqui. Vamos embora. — A voz rouca da velha senhora interrompeu Walter.

Ele a e olhou e em seguida desviou para a vista daquela favela. Mais uma vez se impactou com o cenário que o circundava. Dezenas de casas empilhadas, numa paleta diversa de estruturas disformes, varais estendidos, cachorros sarnentos e lixo amontoado. Walter, no íntimo, gostava daquela visão, tão díspar de seu distante lar. Há dois meses no Rio de Janeiro, os planos de estadia cada vez mais eram preteridos e, se não fosse por sua esposa, planejaria viver mais tempo por lá. Seu contrato de filmagem já estava encerrado e seu novo filme em parceria com produtoras brasileiras o colocaria de volta no mapa das celebridades. Carimbado como um ator de faroeste, sua incursão no drama fora um tiro no escuro para desvencilhar-se do “Modern Western” do qual sobrevivia na árida Hollywood. Naquele morro, naquela favela, fazia sua última encarnação como um cowboy.

— Senhora Getúlia — Atravessou Marta — Seu neto está assistindo uma palestra, vamos fazer brincadeiras depois. Combinamos com todas as mães anteriormente.

— Vamos embora, Guilherme. — Imperou a senhora, resoluta.

— Mas, senhora Getúlia… — Marta parou o garoto que já se dirigia até a avó. — É uma oportunidade ter contato com outras culturas.

— Vamos logo, Guilherme.—Pela primeira vez a senhora Getúlia encarou Marta. — E este homem com uma arma na cinta é ter contato com cultura? — Disse nervosa — Faça o favor de parar de reinação com as crianças e leve o seu trabalho a sério.

Marta ficou nervosa com o comentário da voz ardida daquela senhora parada à sua frente. E não pôde controlar a face ruborizada.

— Eu sou voluntária da educação, senhora. Eu passo muito amor para estas crianças.

— Pois se ama as crianças encerre o circo agora mesmo e cada um vai pra sua casa. 

Marta não a respondeu. Cortou a intromissão liberando de uma vez o menino que saiu de mãos dadas com a avó, em uma velocidade inesperada para a velha senhora.  Walter estava agachado mastigando um capim retirado do bolso, demonstrando comprometimento com sua personagem.

— Ele vai embora porque é filho de policia, tia.

Marta olhou para a menina Felicia que jogara a informação no ar e chacoalhou os ombros para ela, indicando que uma coisa não tinha nada a ver com outra coisa. A menina não entendeu a jogada de ombros e virou imediatamente para brincar com outra colega.

—Pode continuar, Fred Red.

— Red Fred! — Sapecou com a ponta do dedo a aba do chapéu. — Kids, vou falar um pouco de mim. Represento dois lados da velho oeste, Red Fred, o pistoleiro fora de lei…—Retirou rapidamente a estrela do peito — E Walter Spencer, xerife, homem de lei, caçador de bandido. — Recolocou a estrela.

A estrela de latão espetou seu peito, levemente, suficiente para o pôr em alerta. Naquele instante, todos desviaram seus olhares. Vindos do alto, naquele meio de caminho entre o topo do morro e o asfalto litorâneo, despontaram seis homens. Seis traficantes, descendo em descompasso, com metralhadoras descansando em seus ombros, os chinelos martelando o cimento quebradiço, as correntes de ouro balouçando.

— Espera! — O rapaz não tinha mais de dezoito anos. Deteve os amigos e apontou o queixo em direção as crianças. — Saca esse figura no meio dos pivetes!

Marta perdeu a cor, antes ruborizada, da face. Seus olhos arregalaram-se e automaticamente deu a mão para uma das crianças. Em sua mente, pensamentos conectivos giraram em velocidade. Ela sabia quem eram aqueles sujeitos armados, sabia do perigo. Pensou em como a avó Getúlia tinha pressa em levar seu neto daquele lugar. “Ela sabia!” Marta pôs-se de pé, mesmo com as pernas fracas, aproximou-se um pouco mais de Walter. Ele continuou sua narrativa. O norte americano vira na internet, nos jornais, na televisão, mas nunca pessoalmente, os senhores do crime, ditos donos de boca, donos do morro. Sabedor de que ao aceitar aprofundar-se na comunidade poderia encontrar essa mesma cena, trabalhou a fantasia que lhe era incumbida com ainda mais esmero.

Red Fred, Walter Spencer, Red Fred, Walter Spencer.” O pensamento também girava, na direção contrária dos pensamentos de Marta.  “Sou o pistoleiro, o gatilho mortal do oeste, também o juiz e o carrasco da lei” Automaticamente ele encarou as metralhadoras, cumprimentou as metralhadoras com um meio sorriso, como que reverenciando aquilo que lhe era familiar. “As diligências virão velozes pelo deserto, para nos salvar”. Mas o morro labiríntico pareceu crescer e abraçar os dois metros de altura do visitante.

Ace-high¹, amigos!

— Aê, gringão. Pura bucha, só pode. — Avantajou-se para a entrada do galpão um gordo sem camisa, retirando um maço de cigarros do bolso.

Fez, mano, tu viu só? Não curto a cara de gringo péla saco não.

Pouco a pouco, guiados involuntariamente pelo passo folgado do homem gordo, que suava em profusão, os recém-chegados puseram-se entre o semicírculo das crianças e a pequena elevação de lajotas quebradas na qual Walter estava apoiado.

— Marta, o quê estar passando? – Pôs as mãos na cintura, quis passar tranquilidade.

— Fala escroto pra caraí. — Cortou o menor dos homens armados.

A guia da ONG colou em Walter e falou em voz baixa, aparentemente calma, que aqueles eram traficantes perigosos, mas que não iriam fazer nada. Ela falou em inglês, discreta. Não suficientemente discreta, conforme avançou prontamente o “dono do morro”.

— Opa, tu fala nossa língua aqui, tá compreendendo dona? Este péla saco é gringo? O que ele tá fazendo aqui na minha área?

Walter inverteu os pés ao dar um passo pra trás, quase tropeçando. Recompôs-se. “A true shave tail, Walter Spencer, a coward shave tail²!” O medo acabara de invadi-lo.

—O senhor nos perdoe. Estamos fazendo apenas uma brincadeira com as crianças através dos esforços da ONG Viva Vida. Trazendo cultura de fora do país para aumentar a capacidade de interação dos pequenos. O senhor conhece nosso trabalho, estamos há anos…

O gordo sem camisa arremessou um cigarro nos pés de Marta e virou as costas, afastando-se.

—Tá bom, saquei, dona. Pode frear esse discurso. O goiaba aí é tipo um palhaço de rodeio.

I am not a clown! Sorry… — Walter ergueu o chapéu e o soltou novamente na cabeça, sem perceber que falara em inglês.

— Tá falando de rodeio, mermão? Qualé dessa arma aí?

—É de brinquedo, senhor. — Marta cortou no ar as palavras.

—Dona, senhor tá no céu. Tu já viu Cidade de Deus?

Zé Pequenho — Adivinhou Walter.

— Mermão, vamos chatubar esse mané. — Vociferou o jovem traficante, dirigindo-se aos companheiros.

— Dá tempo, não, Chupeta. Tu sabe que vai dar caô aqui. — O sujeito visivelmente preocupado aprumou sua metralhadora e foi para o lado do gordo.

Bóra nessa, então. — Chupeta imperou e o restante o seguiu.

Marta e Wagner trocaram olhares de preocupação. Ela acompanhou os homens. O norte americano experimentou um misto de alivio e vergonha. As vozes de gírias carregadas e as armas ostensivas tornaram o clima péssimo.  Sua esposa Sara mordiscava as unhas, encolhida num banco. Ele deu mais alguns passos para trás, acenou para as crianças, mas elas não estavam ligadas àquela situação. As crianças brincavam entre si e era este o cenário. O sol do meio dia cortou transversalmente os telhados desalinhados e iluminou a área onde todos estavam reunidos. Walter Spencer, que também era Red Fred, pigarreou e cuspiu. Pigarreou com rudeza, cuspiu com força. Era Red Walter Fred Spencer encerrando um dilema psicológico, como nos filmes, nas cenas de suspense. Mas, não.

—E aê, seu puto? — Chupeta virou o corpo, já em movimento inverso para cima do cowboy. —Cê tá desrespeitando a banca, maluco?  Eu tava só na travessura, mas agora o caldo engrossou!

Marta interpôs-se. — Por favor, pelo amor de Deus — Em sua cabeça, ela era a única figura de controle naquela “cidade” sem lei. Não bastou. — Vão embora, por favor — Foi empurrada com violência pelo jovem magrelo de regata colorida e músculos tesos. Caiu de testa no chão. Marta, guia da ONG Viva Vida, estava desacordada em uma pilha de escombros. As crianças assustaram-se. Fecharam-se numa roda, com mais medo do estado de Marta do que da atitude violenta a qual ela sofrera.

— Tu viu, tu fez, agora tu é! — Apontou pra estrela no peito de Wagner, soltando gotículas de saliva em uma aproximação perigosa.

O cowboy sentiu urgência em olhar para Sara. Pálida, encolhida, chorava em silêncio, tremendo. “Woke up the wrong passenger³” Ele pensou.

— Vamos duelar! Igualzinho nos filmes do Clintistud. — Sentenciou o traficante, estufando o peito.

Walter apertou o cabo de plástico de sua pistola tingida. Helicópteros fizeram eco, distantes. Rojões estouraram lá embaixo.

— Bóra, Chupeta. Tá mó aperto.

Chupeta abriu os braços e riu, olhou paras as crianças e gargalhou.

— Calma, Dênidi. Vamo brincar com o palhaço. Saca só, pivetada. Olhem como é um duelo igual nos filme.  Vamos ver quem saca primeiro.

As crianças sorriram, sem riso, sem alegria. Sorriram por sorrir, numa expectativa genuína. Walter voltou a partilhar seu mundo de faroeste.

— Nós vamos a ter, crianças, um duelo justo. – Tremelicou a voz — Isso acontecia raramente no verdadeiro oeste, mas nos filmes da TV, sempre vemos.

— Aê grandão! Gringão! Vô te mandar pros States na bala careca da minha pistola. — Chupeta virou um pouco o corpo e apontou para um revólver automático cromado preso ao cinto da calça jeans.

— Mas para trás, por favor. — Walter fez um gesto com a mão.

Naquele momento era Red Fred pondo-se em guarda e arqueando os braços. As mãos alinharam-se na cintura e o sol excruciante produziu um suor de lava em suas têmporas. Os dedos balançavam em ansiedade. Chupeta deu quatro passos para trás. Ameaçou sacar.

— Há! — Pôs a mão nas costas com um movimento veloz, retornando-a vazia e com o dedo em riste dando tiros invisíveis.

O cowboy tinha muitos anos de encenações daquele confronto. Todas inofensivas, que terminavam em cervejas e piadas. A claquete descia e o diretor dizia “Corta” e era o fim. Agora era a realidade, friccionando seus sentidos e atentando contra sua vida.

—Não é assim, tem  um momento certo. Crianças? — Olhou para os pequenos, estavam tensos, pela primeira vez, tensos. Aproveitou a brevidade que lhe restava  e espiou a esposa, ela não olhava, estava em choque, a cabeça encolhida entre os joelhos. — Vou acabar com você, bandido. — Exaltou.

Fela da puta, esse cara. Há! — Ameaçou sacar. — Há! — Uma vez mais. O dedo esticado, o polegar pra cima.

Alguém cruzou entre os dois homens. O gordo sem camisa, lavado em suor.

—Saí do meio, Pina, porra!

O gordo caminhou diretamente para Sara Spencer. Um sinal para Red Fred. Sua arma de brinquedo estava pronta, tinindo. O gordo tocou o cabelo da mulher.

— Ora, ora, vejam só essa beleza — Escorreu os dedos nos cabelos vermelhos — Cheirosinha!

Era a hora. O ato de sacar urgia na mente. O plástico estava pelando, o suor em lava agora invadia todo o rosto. Chupeta girava os olhos com a língua espessa no ar, arfando como um cachorro.

—Maluco! Covarde! — Walter sacou.

Chupeta manteve a mão direita nas costas. Sedento, observou o opaco cinza da arma daquele cowboy enxuto. O cano fino mirou a cabeça do bandido. A rolha saltou com um pequeno estalo e foi até o limite da cordinha que a prendia. O dedo de Walter apertava o gatilho continuamente. O gatilho descia e voltava, descia novamente, voltava, eliminava todos os malditos pistoleiros que o xerife Walter tinha em sua frente.

— Toma pipoco, otário. — O pulso do traficante girou torto com o peso do revolver brilhante.

Dois tiros no mesmo lugar. A diferença milimétrica de duas balas esmigalhou a clavícula de Red Walter Fred Spencer.  As gotas de sangue alcançaram seu rosto. Uma profusão vermelha brotava do peito. A dor lancinava. Olhou para a sua esposa, presa nos braços do homem gordo e suado. Ela gritou súplicas em inglês, onomatopeias esticadas de horror. Ele balbuciou apenas letras incongruentes. Escutou o barulho da diligência. Um helicóptero, muito longe. Pensou na salvação. Lentamente Walter dobrou os joelhos até tocar o chão. As costas foram para trás. O dedo ainda clicando o gatilho da arma de plástico, espasmódico.

Vamô dá no pé, Chupeta. Esquece esse gringo filho de uma puta.

O traficante correu até as crianças. Algumas choravam e outras, poucas, ainda sorriam. Estes poucos sorrisos, Chupeta marcou em sua mente, como sorrisos de pagamento.

— A tropa tá subindo.

Os rojões estouraram com mais força, com mais proximidade.

— Leva essa vagabunda gringa, Pina.

Sara foi arrastada aos prantos, tentando saltar em seu marido que agonizava numa poça de sangue. Um grupo de policiais estava perto de satisfazer a sede de vingança que subitamente invadira seu coração.

— Vai duelar com eles também, parceiro? — Perguntou um dos traficantes cutucando o ombro do líder.

—Duelar, mano? Tá maluco? Chega de mel por hoje. Vamos fugir.

As crianças cercaram o corpo de Walter, dando tiros invisíveis, com os dedinhos esticados e os polegares pra cima. Os traficantes, com as metralhadoras descansando em seus ombros, os chinelos martelando o cimento quebradiço, as correntes de ouro balouçando, subiram correndo o morro.

— Covardes! — Balbuciou Walter Spencer, pouco antes de fechar os olhos.

Lá debaixo, uma voz fina gritou fatigada, do alto de uma janela qualquer:

— Abaixa o volume desta TV, porra!
***
1 – Ace-high : (alguém de) primeira classe, respeitado
2 – “A true shave tail, Walter Spencer, a coward shave tail”: Pessoa “verde”, sem experiência.
3 – “Woke up the wrong passenger” : “Acordei o passageiro errado” (Gíria comum no velho oeste)