segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

As suculências



"Meu noivo foi num churrasco e disse que eu não poderia ir. Um churrasco apenas para homens"

"Ah, que esperto. Um baita sacana."

"Foi o que pensei, amiga. Que ele ia farrear com alguma vadia. Ainda que foi num sitio, acredita?"

"E você permitiu?"

"Sim. Mas o segui."

"Oh, pegou ele no flagra?"

"Sim. Esperei um tempo antes de entrar. Fui até a porta, contornei a varanda. Estava tocando um pagode antigo em alto volume."

"E então?"

"Bom, segui até os fundos e os vi."

"Cercados de vadias?"

"Não. Apenas homens, estavam agachados formando um circulo. Fazendo ruídos horríveis com a boca."

"Meu Deus! O que eles estavam fazendo?"

"Oh, amiga, foi tão nojento."

"..."

"Eu dei a volta sem eles perceberem e quando os vi de frente..."

"Oh, amiga, oh..."

"Eles estavam chupando... Chupando como porcos... Chupando ossos de uma costela assada."

"Nojo! Oh, Deus, que nojo!"

"Eles chafurdavam aqueles ossos gordurosos e quentes na barba e em toda a bochecha, mordiscando carne e lambendo os dedos. Senti que eu ia desmaiar. Gritei, apavorada!"

"Amiga, sinto muito"

"Foi horrível, foi pavoroso. Eles me viram, assustados, saíram correndo em diferentes direções, carregando seus ossos de costela de boi. Meu noivo veio em minha direção, limpando aquela gordura temperada com os pulsos. Pediu mil desculpas."

"Aquele porco, tsc"

"Conversamos. Prometeu-me que nunca mais faria coisa semelhante. Dei um voto de confiança."

"Vamos ver."

"Sim, tomara. Amiga?"

"Sim?"

"Assoa o nariz que tem brigadeiro dentro dele."

"Delicia"